Friday, May 23, 2008

Acabei a Universidade... e agora?

Quando saímos da Universidade e enfrentamos o mercado de trabalho as coisas começam a complicar-se. Os primeiros anos são os mais difíceis em termos de afirmação. As oportunidades de emprego são escassas e as condições não são as melhores. Apenas munidos de um grau académico dificilmente chamamos a atenção dos contratadores. Por outro lado, por vezes as melhores oportunidades estão longe e consideramos a possibilidade de mudar de cidade, de região ou mesmo de país. O processo tradicional de envio de curricula é chato, demorado e sem resultados palpáveis à partida. As entrevistas sucedem-se umas às outras e os testes psicotécnicos começam por ser uma rotina. No limite por vezes passam-se meses e não acontece nada. Há que ter paciência e não desmotivar. O primeiro desafio é não baixar os braços ao longo do processo e continuar a lutar.

O primeiro passo é o de definir o que pretendemos fazer das nossas competências.
Qual a área em que pretendemos trabalhar e desenvolver a nossa actividade. A carreira profissional é algo que se constrói, é um empreendimento, um projecto de gestão pessoal. É importante iniciar a trabalhar na área que entendemos ser aquela que queremos desenvolver efectivamente. Ao iniciar numa área que não se adequa às nossas competências dificilmente teremos oportunidade de evoluir construtivamente.

É importante desenvolver uma actividade de que gostamos.
A motivação é maior e os resultados mais fáceis de alcançar. Contudo, é evidente que vamos gostar mais de umas tarefas do que de outras mas a probabilidade de termos mais tarefas interessantes e sucesso no que fazemos é garantidamente maior. Para Einstein “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

Há que definir objectivos profissionais a médio e longo prazo. A definição de objectivos permite uma orientação macro mais clara sobre as nossas opções e sobre o investimento pessoal a realizar em termos de experiência e aprendizagem. Imagine o que quer estar a fazer daqui a cinco anos e desenhe um plano ou projecto com os vários cenários possíveis e alternativas.

A aprendizagem é constante e necessária à evolução das nossas competências.
No início de carreira por vezes é aconselhável baixar um pouco as expectativas e assumir uma atitude de aprendizagem com a praxis. Nos primeiros empregos ou trabalhos desenvolvidos normalmente não se ganha dinheiro para pagar o apartamento ou o carro novo. O primeiro emprego pode até não ser muito interessante mas é a primeira oportunidade para tomar contacto com esta realidade e a primeira experiência que adquirimos. Caso os primeiros empregos não permitam a sua evolução no local de trabalho, encare-os como instrumentais para a sua aprendizagem procurando extrair o máximo de experiências que o valorizem. A carga de aprendizagem permitir-lhe-á posteriormente ter acesso a um emprego mais ajustado.

Por outro lado, saímos da Universidade com uma licenciatura mas o estudo não pode ficar por ai. Percebemos ao longo dos anos que temos necessidade de continuar a estudar de forma a aliar a praxis a novos conhecimentos teóricos para adquirir novas competências. A selecção entre as várias ofertas de mercado, desde pequenas acções de formação mais específicas até especializações, mestrados e MBA’s disponíveis, deve estar de acordo com os nossos objectivos e devem contribuir, na altura certa, para uma valorização pessoal efectiva. A auto-aprendizagem é essencial: procure ler tudo que encontrar sobre a sua função ou sobre a área em que desenvolve a sua actividade. Vai ver que terá uma vantagem competitiva pelo conhecimento adquirido.

A ambição é uma característica essencial mas deve ser desenvolvida de forma saudável.
Ser ambicioso não tem nada de mal, pelo contrário, é uma força que nos impele a desenvolver cada vez mais as nossas competências e a assumir novas responsabilidades e desafios com satisfação. Procurar subir um degrau de cada vez pode ser um processo necessariamente demorado, com um tempo próprio de maturação, aliado ao processo de aprendizagem com a praxis e com a teoria. Queremos chegar longe mas não queremos decerto ser um exemplo do Princípio de Peter. Ser ambicioso de forma saudável é também ser capaz de desenvolver metodologias de trabalho eficientes, aprender a trabalhar com os nossos colegas e com respeito aos princípios de ética profissional.

Por último mas não menos importante, não há que ter medo de errar.
O medo do erro é um dos maiores obstáculos para o sucesso. Se acreditamos nas nossas ideias e nas nossas competências devemos arriscar. Quando erramos em algo devemos encarar com naturalidade e procurar perceber o que correu mal. Ultrapassado o obstáculo que levou ao erro devemos tentar novamente, procurar alternativas, até obter sucesso. Thomas Edisson, disse "Não me desiludo, porque cada passo errado, é um passo em frente".

É evidente que há diferenças entre as várias áreas de formação e as oportunidades de mercado de emprego. O processo de desenvolvimento de uma carreira profissional pode ser mais ou menos complexo ou mais ou menos claro, dependendo de cada área de formação e das "habilidades" (abilities=competências) que cada um desenvolve.

Quando olho para trás e para o caminho que percorri vejo onze anos muito preenchidos de diversas experiências e com desafios multifacetados. Neste tempo foram seis as fases de mudança e de crescimento. No global, considero que a evolução foi muito positiva porque aprendi e cresci muito desde que iniciei a minha carreira profissional. Por outro lado, a evolução é constante e sinto que irão ainda surgir novas experiências e oportunidades no futuro. Adivinha-se mais uma para muito breve... não porque esta esteja a correr mal, muito pelo contrário, antes porque já atingi o máximo e há que evoluir noutro sentido.

Ficam as minhas sugestões.

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